noite. é neste silêncio que eu procuro o som.
naquele momento em que o ruído de fundo sobrevem
e nos apercebemos que, na realidade, não existe silêncio.
aquela hora em que a cidade aparentemente dorme a meus pés
mas emana um pulsar constante.
o pulsar eléctrico de mil máquinas "silenciosas" em funcionamento.
o pulsar dos corpos que, aqui e ali, se buscam e se debatem.
o pulsar de choros refreados, de tragédias pessoais, de desalentos e amargura.
um pulsar grave,... contínuo,... lento...
pudesse um único som resumir a nossa existência e seria
o de uma estrela a ser sugada para o vórtice.
uma força voraz que não atende aos desejos, cega ao passado.
deus?
no vazio o som não se propaga...
Terça-feira, 15 de Novembro de 2011
Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011
que a noite te encontre já imersa nas sombras
não temendo o seu avanço
e da música apenas reste
a cadência soturna que, abafada, anuncia o fim.
and may the faintest beams of light
spreading on the shores on an autumn twilight
find you on the beach, warming you,
while you stare into the sea.
porque a hora do fim será sempre sombria
e nada nos resta senão aqui e agora.
e tudo o que quisermos sorrir, dizer e amar
deverá ser gravado aqui.
for there is no god above nor afterlife,
no injust punishment nor eternal reward,
all that may be, you see, is circumscribed
in an arch spreading from birth until the final goodbye.
que a hora esteja distante
mas que não te detenhas na espera...
não temendo o seu avanço
e da música apenas reste
a cadência soturna que, abafada, anuncia o fim.
and may the faintest beams of light
spreading on the shores on an autumn twilight
find you on the beach, warming you,
while you stare into the sea.
porque a hora do fim será sempre sombria
e nada nos resta senão aqui e agora.
e tudo o que quisermos sorrir, dizer e amar
deverá ser gravado aqui.
for there is no god above nor afterlife,
no injust punishment nor eternal reward,
all that may be, you see, is circumscribed
in an arch spreading from birth until the final goodbye.
que a hora esteja distante
mas que não te detenhas na espera...
Quarta-feira, 14 de Setembro de 2011
é o silêncio que paira sobre tudo isto.
um silêncio denso. como que uma muralha
que, após ser construída, foi sendo reforçada
ano após ano.
irónica figura de estilo, por nessa muralha
estar na verdade a única saída, a única voz...
é o vazio que domina isto tudo.
um vazio imenso. como se nos sentássemos
no fim do universo e pudéssemos ver
todo o vazio que existe para além.
todo o vazio que nada é, que tudo poderia ser.
estranha figura de estilo, por esse vazio
ser o que na verdade me preenche,
que propaga a minha voz...
um silêncio denso. como que uma muralha
que, após ser construída, foi sendo reforçada
ano após ano.
irónica figura de estilo, por nessa muralha
estar na verdade a única saída, a única voz...
é o vazio que domina isto tudo.
um vazio imenso. como se nos sentássemos
no fim do universo e pudéssemos ver
todo o vazio que existe para além.
todo o vazio que nada é, que tudo poderia ser.
estranha figura de estilo, por esse vazio
ser o que na verdade me preenche,
que propaga a minha voz...
Sexta-feira, 9 de Setembro de 2011
desço agraciado pelas sombras,
na solitária companhia dos vultos
que o tempo esqueceu.
solícitos na sua compreensão, rejeito porém
os ombros que me oferecem.
nunca estou em paz! nem estes vultos
que comigo ombreiam,
contando comigo para sua memória
vislumbram o opaco vazio que me assoma.
não sou alfa nem omega, apenas a fugaz impressão
de algo que não foco.
um corpo à deriva até passar o limite último
deste sistema
e enveredar pela trajectória do oblívio.
quem era? existiu? nada ficou!...
... ... ... ... ...
sorri, enquanto for essa a tua hora
e a grandeza da tua sombra crepuscular
vencer o mais alto edifício que te acerque.
após isso, resta-nos... nada...
na solitária companhia dos vultos
que o tempo esqueceu.
solícitos na sua compreensão, rejeito porém
os ombros que me oferecem.
nunca estou em paz! nem estes vultos
que comigo ombreiam,
contando comigo para sua memória
vislumbram o opaco vazio que me assoma.
não sou alfa nem omega, apenas a fugaz impressão
de algo que não foco.
um corpo à deriva até passar o limite último
deste sistema
e enveredar pela trajectória do oblívio.
quem era? existiu? nada ficou!...
... ... ... ... ...
sorri, enquanto for essa a tua hora
e a grandeza da tua sombra crepuscular
vencer o mais alto edifício que te acerque.
após isso, resta-nos... nada...
Sábado, 2 de Abril de 2011
esta é a noite sem sono.
das horas perdidas e do tempo gasto
incapaz de descortinar ou criar algo.
esta é a noite sem destino,
sem vislumbres, voz ou acção.
esta é a noite do silêncio,
quando os demónios se erguem e as sombras
se abatem.
esta é a noite (mais uma noite)
em que a guitarra não soa,
o seu vagaroso timbre a preencher as trevas.
esta é a noite vã.
esta é a noite da profunda apatia,
do insistente roçar na madeira
das unhas quebradas do sonho gasto.
esta é a noite em que vos ouço a dormir
e tento aninhar-me entre o profundo respirar
do vosso sono
e espero, e espero
entrelaçar nos vossos sonhos a memória
do edifício que erigimos em conjunto e espero
que a vossa beleza se entrelace com a minha angústia
e os vossos sonhos se entrelacem com o meu desespero
e um dia, um dia eu espero
que esta noite seja longínqua,
mais em memória que tempo,
e possamos olhar para aquilo que tecemos
e antes do fim da jornada achar
que valeu a pena.
esta é a noite em que sento e penso,
a noite em que não chego a parte nenhuma.
esta é a noite
só a noite
só mais uma noite...
das horas perdidas e do tempo gasto
incapaz de descortinar ou criar algo.
esta é a noite sem destino,
sem vislumbres, voz ou acção.
esta é a noite do silêncio,
quando os demónios se erguem e as sombras
se abatem.
esta é a noite (mais uma noite)
em que a guitarra não soa,
o seu vagaroso timbre a preencher as trevas.
esta é a noite vã.
esta é a noite da profunda apatia,
do insistente roçar na madeira
das unhas quebradas do sonho gasto.
esta é a noite em que vos ouço a dormir
e tento aninhar-me entre o profundo respirar
do vosso sono
e espero, e espero
entrelaçar nos vossos sonhos a memória
do edifício que erigimos em conjunto e espero
que a vossa beleza se entrelace com a minha angústia
e os vossos sonhos se entrelacem com o meu desespero
e um dia, um dia eu espero
que esta noite seja longínqua,
mais em memória que tempo,
e possamos olhar para aquilo que tecemos
e antes do fim da jornada achar
que valeu a pena.
esta é a noite em que sento e penso,
a noite em que não chego a parte nenhuma.
esta é a noite
só a noite
só mais uma noite...
Quinta-feira, 24 de Março de 2011
hoje as sombras alongam-se e a noite silenciosa
carrega o estertor de casa em casa sem saber ler
na porta a marca dos justos.
hoje o ar adensa-se até um clímax inalcançado
e os sussurros gerarão o grito morto prematuramente.
hoje a vida esvai-se, sangra-se o futuro e contam-se as armas.
hoje a rua em chamas celebrará o fim.
carrega o estertor de casa em casa sem saber ler
na porta a marca dos justos.
hoje o ar adensa-se até um clímax inalcançado
e os sussurros gerarão o grito morto prematuramente.
hoje a vida esvai-se, sangra-se o futuro e contam-se as armas.
hoje a rua em chamas celebrará o fim.
Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011
ouve-me. sou a tua voz, de novo, aquela que te encontra
no contínuo sussurro que não sossega.
ouve-me. é de novo a voz do abismo que te chama.
a tua companhia constante nas descidas ao subterrâneo.
ouve-me. quanto tempo se passou? foram semanas, meses?
tudo se concentra neste momento.
a hora em que a mente divaga, o olhar fixo penetra o vazio
e a mão automática pega na caneta e mancha o papel.
sim, o papel, essa tela onde se imprime a fúria, a incerteza, o erro.
esse quente registo humano, físico como eu, a voz que sussurra.
que observa, que toma notas, que vai tecendo a tapeçaria
na qual te deitas nos teus momentos de grave solenidade, de desespero, de tristeza.
a tapeçaria onde te deitas e sentes todos os seus filamentos
a procurarem contacto com esse corpo, essa mente de onde saíram.
ligação directa ao centro nevrálgico da experiência.
onde a vida se preenche no contorno das cicatrizes que sulcam a superfície
no planalto da loucura.
sim, é do físico que se fala. esta é a escrita da terra.
é a marca impressa na lama seca quando o fogo desvaneceu
a beleza primordial da água e o vento expôs a crueza do solo árido.
ouve-me... eu sou o sussurro que percorre o deserto e te mostra
a entrada da caverna.
ouve-me... e sente na carne a dor dos primeiros passos
quando almejas as estrelas mas a queda te recorda o teu verdadeiro lugar.
ouve-me... envio-te sílabas soltas no vento, embalo-te na água e
seduzo-te no fogo. ouve...
o caminho está para lá das montanhas, nas falésias que o vento
acaricia e molda nas suas investidas.
o caminho está para lá dos oceanos que vêm a aurora.
o caminho está onde tu estás...
no contínuo sussurro que não sossega.
ouve-me. é de novo a voz do abismo que te chama.
a tua companhia constante nas descidas ao subterrâneo.
ouve-me. quanto tempo se passou? foram semanas, meses?
tudo se concentra neste momento.
a hora em que a mente divaga, o olhar fixo penetra o vazio
e a mão automática pega na caneta e mancha o papel.
sim, o papel, essa tela onde se imprime a fúria, a incerteza, o erro.
esse quente registo humano, físico como eu, a voz que sussurra.
que observa, que toma notas, que vai tecendo a tapeçaria
na qual te deitas nos teus momentos de grave solenidade, de desespero, de tristeza.
a tapeçaria onde te deitas e sentes todos os seus filamentos
a procurarem contacto com esse corpo, essa mente de onde saíram.
ligação directa ao centro nevrálgico da experiência.
onde a vida se preenche no contorno das cicatrizes que sulcam a superfície
no planalto da loucura.
sim, é do físico que se fala. esta é a escrita da terra.
é a marca impressa na lama seca quando o fogo desvaneceu
a beleza primordial da água e o vento expôs a crueza do solo árido.
ouve-me... eu sou o sussurro que percorre o deserto e te mostra
a entrada da caverna.
ouve-me... e sente na carne a dor dos primeiros passos
quando almejas as estrelas mas a queda te recorda o teu verdadeiro lugar.
ouve-me... envio-te sílabas soltas no vento, embalo-te na água e
seduzo-te no fogo. ouve...
o caminho está para lá das montanhas, nas falésias que o vento
acaricia e molda nas suas investidas.
o caminho está para lá dos oceanos que vêm a aurora.
o caminho está onde tu estás...
Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010
o relógio marca o compasso opressor do tempo a esvair-se.
sangra-se o tempo que não foi nas saídas mortas do labirinto.
na eterna repetição da hora, no momento desconexo da amarga [contemplação
quando as sombras se distendem e vencem a estatura
da figura que recortam na solidão do plano.
aí, nesse momento de crepúsculo, entre a hora que partiu e a que [chega,
encerra-se o segredo da minha existência.
a ténue fracção de segundo não percepcionada
entre o brilho e o ocaso. o reino da invisibilidade,
o eterno segredo que não precisa de o ser.
sangra-se o tempo que não foi nas saídas mortas do labirinto.
na eterna repetição da hora, no momento desconexo da amarga [contemplação
quando as sombras se distendem e vencem a estatura
da figura que recortam na solidão do plano.
aí, nesse momento de crepúsculo, entre a hora que partiu e a que [chega,
encerra-se o segredo da minha existência.
a ténue fracção de segundo não percepcionada
entre o brilho e o ocaso. o reino da invisibilidade,
o eterno segredo que não precisa de o ser.
Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010
aparentemente imóvel, movendo-se porém a uma velocidade
que nenhum olho consegue percepcionar.
como o padrão no canto de uma baleia, indistinguível
ao ouvido humano.
sempre foi esse o segredo da minha auto-destruição.
movo-me como as placas tectónicas, imperceptível até ao dia
em que nos detemos a admirar a sua transformação e nos [questionamos
como foi possível chegar a este ponto sem que o tenhamos visto.
sou um vírus adormecido até à data da sua furiosa disseminação.
sou um sonho incandescente a tragar mundos
a serem descobertos num futuro remoto.
trago a memória dos dias que não foram,
quando a morte se acercou da criança adormecida
e a beijou na fronte deixando a peste invadir
o virgem sono.
que nenhum olho consegue percepcionar.
como o padrão no canto de uma baleia, indistinguível
ao ouvido humano.
sempre foi esse o segredo da minha auto-destruição.
movo-me como as placas tectónicas, imperceptível até ao dia
em que nos detemos a admirar a sua transformação e nos [questionamos
como foi possível chegar a este ponto sem que o tenhamos visto.
sou um vírus adormecido até à data da sua furiosa disseminação.
sou um sonho incandescente a tragar mundos
a serem descobertos num futuro remoto.
trago a memória dos dias que não foram,
quando a morte se acercou da criança adormecida
e a beijou na fronte deixando a peste invadir
o virgem sono.
Terça-feira, 24 de Agosto de 2010
o dilacerante desespero do grito ofuscou o brilho do dia
ecoando mudo no plano da mente reconduzindo as trevas
à sua morada habitual e, como que com um sopro,
a paisagem desvaneceu-se deixando apenas a terra estéril.
a mão que desenhava a paisagem deteve-se
petrificando-se num ponto tão vazio
quanto a efémera concretização do desejo.
e, nesse instante perpetuamente suspenso, a noite
alongou-se até a sua vastidão tudo engolir.
na longa estrada que cobre a distância da memória
muitos são os que permanecem perdidos.
e o que somos nós senão a recordação que fica
após o tempo findo?
ecoando mudo no plano da mente reconduzindo as trevas
à sua morada habitual e, como que com um sopro,
a paisagem desvaneceu-se deixando apenas a terra estéril.
a mão que desenhava a paisagem deteve-se
petrificando-se num ponto tão vazio
quanto a efémera concretização do desejo.
e, nesse instante perpetuamente suspenso, a noite
alongou-se até a sua vastidão tudo engolir.
na longa estrada que cobre a distância da memória
muitos são os que permanecem perdidos.
e o que somos nós senão a recordação que fica
após o tempo findo?
Domingo, 4 de Abril de 2010
Quarta-feira, 31 de Março de 2010
Primeira parte de Altar of Plagues
A convite da Amplificasom, dia 6 de Maio farei a primeira parte do concerto de Altar Of Plagues na Fábrica de Som. A minha prestação consistirá numa leitura integral do livro "A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer" da autoria de Stig Dagerman (editado em Portugal pela Fenda). À satisfação enorme em me ter sido feito tal convite, acresce o facto de ir ler este pequeno grande livro, tão importante para mim, de um dos meus autores favoritos. Seguir-se-à o concerto dos Altar of Plagues (verdadeira razão para se aparecer por lá) que, após o excelente "White Tomb" do ano passado, por essa altura já terão editado o seu novo EP, intitulado "Tides", que conterá dois temas que, segundo os próprios, foram inspirados pelo poder e energia do Oceano Atlântico.
Apareçam!
Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010
Sábado, 6 de Fevereiro de 2010
a luz evanescente traz consigo um apelo
que estende o seu murmúrio reverberando
onde ecoam os passos da solidão
há encerrada em si a memória
da linha do horizonte recortada a laivos de fogo
precedida pelo mar
eu ainda estou naquele rochedo
onde as ondas contavam segredos
e imprimiram em mim a sua voz
eu ainda tenho dez quinze vinte anos
e tudo é ainda jogado
no campo das probabilidades
ainda as sombras não se abateram
e a tempestade surgiu no horizonte
ainda a inocência perspectiva o futuro
já a mácula se instalou ainda que indelével
mas a sua presença não foi notada
até à hora das trevas
que estende o seu murmúrio reverberando
onde ecoam os passos da solidão
há encerrada em si a memória
da linha do horizonte recortada a laivos de fogo
precedida pelo mar
eu ainda estou naquele rochedo
onde as ondas contavam segredos
e imprimiram em mim a sua voz
eu ainda tenho dez quinze vinte anos
e tudo é ainda jogado
no campo das probabilidades
ainda as sombras não se abateram
e a tempestade surgiu no horizonte
ainda a inocência perspectiva o futuro
já a mácula se instalou ainda que indelével
mas a sua presença não foi notada
até à hora das trevas
Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010
há demasiado tempo que o ar nesta latrina se tornou insuportável
e cada dia é vivido na vã mentira a nós próprios
de um dia conseguirmos respirar.
há demasiado tempo que as sombras se tornaram tão densas
que nos substituíram
e nos perdemos no esbatimento da sua projecção.
há demasiado tempo que não sabemos o que é suposto sermos
para além de toda a carga que agora nos anula
e que sentimos nunca terminar.
há demasiado tempo que nos separamos e esquecemos
o trajecto que tínhamos perfilado no horizonte
aonde sabíamos que iríamos chegar.
há demasiado tempo que as armas foram depostas
e se encontram enferrujadas num canto
para onde relegamos os sonhos que preferimos não sonhar.
há demasiado tempo que não sermos se tornou banal
e queimamos o tempo numa cruel ânsia
por um fim nulo.
há demasiado tempo...
há demasiado tempo que aguardo o dia
que cesse a noite que me encerra
e possa rever, por entre névoa e ruína,
quem eu julgava ser.
há demasiado tempo, porém, que perdi aquilo que fui
e me tornei no que sempre odiara.
há demasiado tempo que vivo incapaz sequer de descortinar
a saída do labirinto.
há demasiado tempo que fui devorado
pelo que nunca desejei.
e cada dia é vivido na vã mentira a nós próprios
de um dia conseguirmos respirar.
há demasiado tempo que as sombras se tornaram tão densas
que nos substituíram
e nos perdemos no esbatimento da sua projecção.
há demasiado tempo que não sabemos o que é suposto sermos
para além de toda a carga que agora nos anula
e que sentimos nunca terminar.
há demasiado tempo que nos separamos e esquecemos
o trajecto que tínhamos perfilado no horizonte
aonde sabíamos que iríamos chegar.
há demasiado tempo que as armas foram depostas
e se encontram enferrujadas num canto
para onde relegamos os sonhos que preferimos não sonhar.
há demasiado tempo que não sermos se tornou banal
e queimamos o tempo numa cruel ânsia
por um fim nulo.
há demasiado tempo...
há demasiado tempo que aguardo o dia
que cesse a noite que me encerra
e possa rever, por entre névoa e ruína,
quem eu julgava ser.
há demasiado tempo, porém, que perdi aquilo que fui
e me tornei no que sempre odiara.
há demasiado tempo que vivo incapaz sequer de descortinar
a saída do labirinto.
há demasiado tempo que fui devorado
pelo que nunca desejei.
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